Axónios Gastos - fibras condutoras ou prolongamentos de neurónios que se encontram já consumidos.

domingo, janeiro 14, 2007

Em resposta ao SIM II

Como vimos no post anterior, o PS lançou uma hábil e matreira campanha. A primeira pergunta, à qual já tentei responder anteriormente, é totalmente incorrecta e manipuladora, uma vez que não existem casos de mulheres presas. A segunda peca por esconder a evolução que se registou nos países onde o aborto foi despenalizado: não só aumentaram em grande número por via legal, como se manteve a actividade clandestina, uma vez que as razões que conduziam mulheres ao "vão da escada", sejam elas de carácter social ou económico, mantiveram-se por resolver e solucionar. Assim temos, novamente, a escolha do mote errado, pois o SIM mantém o aborto clandestino ao contrário da ideia que querem passar!
P.S: Gosto da "gentileza" de não atacarem directamente o NÃO, limitando-se, estritamente, à abstenção. Fica-lhes bem. Politicamente muito correcto!
|| JMC - João Maria Condeixa, 17:53

10Comentários:

1. então depreendo que estejas de acordo que a pena de prisão sai da legislação (não é o que se discute, pois claro);

2. algo que é proibido quando é legalizado parece sempre "aumentar" de número. mas aqui assumes que o objectivo do "sim" é manter ou diminuir o número de abortos. a pergunta é manter (a prática d) o aborto clandestino (a). abortos clandestinos existirão sempre.

bónus. as razões que conduziam mulheres ao "vão da escada", sejam elas de carácter social ou económico - defendes que o Estado apoie as famílias "segundo as suas necessidades"? e porque não os indivíduos? Explica por que é que isso não é social-democracia (socialismo).

:)
Blogger AA, at 8:29 da tarde  
João,

Tenho tido uma "discussão" (ainda estava na dúvida em relação às aspas) no blog geraldosempavor.blogspot.com. Deixo-te aqui uma parte da minha resposta (são 3 paginas de worde escrito por tópicos) e do porquê do meu voto no "sim":

Financiamento/Contribuição:
Os impostos que se pagam e que são canalizados para as mais diversas situações assentam no pressuposto de concordância com o programa de governo que foi sufragado e que saiu vencedor. Sempre foi e sempre será assim, da mesma forma que sempre se promete e muitas vezes não se cumpre. Apesar de não ter concordado com a construção de 10 estádios de futebol, aprovei a organização do Euro 2004. Mas também reprovo a canalização de dinheiros públicos para OTA’s, TGV’s e submarinos, especialmente quando se vê que 6 pescadores morrem a 50m da costa. É curioso que já o meu amigo João Condeixa fala dos submarinos como uma obrigação que o estado tem de ter para defender a Pátria. Mas de que ameaça? Em que guerra vai esta super-potência militar entrar? (em resposta a um post neste blog, reconheço que Salazar nos safou da 2ª guerra mundial, mas o colega esqueceu-se da ultramarina com as consequências que sabemos. Continuando no ultramar e nos submarinos, pergunto-me: Se não usamos submarinos nessa época porque os adquirimos agora?). Continuando na defesa e na defesa da Pátria, devo-vos dizer que estou descansado: Se foram utilizadas 2 corvetas para defenderem heroicamente a Pátria dos “belzebus” das “women on waves” e uma corveta numa manifestação de barcos de recreio no parque natural da Arrábida, nem imagino como será quando nos atacarem com fogo!! E os custos dos julgamentos e as investigações que se fazem às mulheres, enfermeiras e médicos? E as complicações de abortos mal efectuados? Não serão mais caros e não trarão mais complicações às mulheres? Admito que o dinheiro dos impostos seja canalizado em intervenções cirúrgicas abortivas da mesma forma que insisto que associada a esta pergunta deve existir um planeamento familiar integrado, educação sexual (especialmente esta) e facilidades na disponibilidade de meios contraceptivos (mas não a atribuição de pílulas do dia seguinte como quem dá rebuçados). Podem-me dizer que isso nunca existirá em Portugal, mas o que é certo é que com a actual lei isso nunca se viu. (por isso colega, eu digo que a discussão do aborto raramente foi discutida. O debate não deve ser tão recto e deve ter mais abrangência). Com a actual lei, as mulheres continuam a ser incriminadas e julgadas socialmente e ao continuarem na clandestinidade não é possível fazer um planeamento correcto e acima de tudo, torna-se impossível prestar o devido apoio psico-social pós-aborto.
Blogger Miguel Cachão, at 5:02 da tarde  
AA,
1.hoje, a pena não passa linearmente por prisão, pois, tanto quanto sei, depende da decisão do juiz que, segundo as circunstâncias, assim atenua, mais ou menos, a acção. E tal como tu dizes não é isso que está em discussão ;) Mas eu gostava, isso sim, que existisse uma séria e competente “pena” de tratamento psicológico a essas mulheres, a bem delas. E não escondo, também, que para os casos que já apareceram de vários abortos sucessivos cometidos pela mesma, talvez o internamento num hospício fosse demasiado suave. Mas isso são casos extremos que não vou considerar.
Enfim, com isto quero dizer que a pena não precisa sair da legislação! Até porque outros agentes envolvidos há, que precisam de ser julgados…

2.O argumento de acabar com os abortos clandestinos não é por mim utilizado, mas sim pela maioria dos apoiantes do SIM. Eu limitei-me a tentar mostrar que esse voto nada muda nesse aspecto. Pois até para tudo que é legal existe o mercado negro. Logo este vai manter-se sempre!

Bónus: Leste mal: não falo que deve o Estado levantar esses obstáculos. Digo sim, que deve o Estado deixar que outros os levantem. E tanto assim acho que não percebo esta ideia de ser o Estado a levantar, de forma facilitista e fugindo às suas prioridades (p.e. um novo modelo), esses obstáculos que ele próprio colocou

Bónus meu: um liberal considera admissível que alguém retire a liberdade a terceiros (embrião e pai)? Ou não há aqui também uma liberdade de escolha que não pertence à mulher apenas?
Abraço:D
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 7:20 da tarde  
Miguel, julgo que a resposta que dei ao AA também responde ao teu comentário. Mas sim assim não for, just say it. abraço
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 7:23 da tarde  
Acreditas mesmo que a despenalização transformará o recurso à IVG como método de contracepção? Isso é argumento que, das duas uma, ou não respeita a mulher ou não tem ideia do sofrimento que deve implicar um aborto. Não é uma questão moral é uma questão jurídica. Quem está pelo sim da despenalização não está obrigatoriamente pela sua prática. As questões morais são como as acções. Ficam com quem as pratica.
Anonymous Anónimo, at 10:05 da manhã  
Aproveito este comentário, para partilhar convosco a minha tristeza e indignação, por ser impedida de votar neste referendo e ter de fazer parte da tão "destorcida" abstenção. Isto porque não me posso deslocar à minha Junta de Freguesia no dia das eleições por estar temporáriamente no estrangeiro... neste referendo não vão permitir que quem está fora da sua terra (em Portugal) vote nem os emigrantes o vão poder fazer nas embaixadas!

Imagino os milhares de portugueses que por estarem em viagens de trabalho, Erasmus, estagios, férias ou motivos pessoais gostariam de poder votar e não o vão poder fazer como eu... abstenção ou incompetência do governo em mudar o sistema eleitoral?



Defendo que em casos excepcionais (ou não) se deveria poder votar por procuração, ou antecipadamente, na net ou por correspondencia... mas a todos os portugueses deveria ser facilitado o direito de exercer um dever cívico de cada um!

Desculpem o desabafo mas estou realmente muito triste de não poder votar no NÃO!
Anonymous Anónimo, at 9:02 da tarde  
Não é o Governo que altera a lei, é a Assembleia da Republica.
Anonymous Anónimo, at 5:50 da tarde  
Ena um amigo do pcp!
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 12:59 da manhã  
Qual amigo do PCP? A Assembleia da Republica é que pode alterar a lei que impede a amiga que diz não poder votar.
Anonymous Anónimo, at 12:49 da tarde  
Anónimo, peço desculpa:D, mas ainda bem que ficou indignado!
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 1:13 da tarde  

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