Axónios Gastos - fibras condutoras ou prolongamentos de neurónios que se encontram já consumidos.

sábado, agosto 18, 2007

A discussão ainda não é essa...temos pena!

Miguel Portas está feliz com o acontecido. Apoia, inclusive, o formato em que o protesto contra OGM se deu. E está assim porque diz que finalmente se estão a discutir organismos geneticamente modificados. Lamento informá-lo, mas estamos muito antes desse episódio da saga ecologista. Parte de Portugal ainda se encontra, como já disse no post anterior, no pós-25. Algumas mentalidades ainda não encontraram o caminho dos países desenvolvidos, da democracia, do respeito pelo suor dos outros, do tal Estado de direito de que se fala diariamente. Algumas mentalidades ainda não tem noção de propriedade, de civismo e acima de tudo de liberdade. Infelizmente se eles, os ecomalfeitores, ainda não têm noção de nada disto, acha mesmo que têm noção do que são OGM? Acha que são capazes de trazer o assunto para cima da mesa? Acha que são capazes, inclusive, de o explicar sem clichés demagógicos? Por fim, acha mesmo que Portugal está a discutir OGM?
|| JMC - João Maria Condeixa, 22:09

3Comentários:

Efectivamente, não é com ecoterrorismo que se conseguem mudar mentalidades. Independentemente da opinião que se tenha quanto aos OGM.
Anonymous jorge figueiredo, at 12:20 da manhã  
Afinal o que é o Milho Geneticamente Modificado?


Assisti incrédulo aos noticiários das televisões no passado Sábado quando um grupo de selvagens apelidados de “ambientalistas” invadiu um campo agrícola privado, destruindo uma área significava de milho geneticamente modificado (GM) no Algarve. A minha revolta interior face a tanta ignorância mostrada por aqueles que se dizem contra organismos GM levou-me a escrever este artigo de opinião por forma a esclarecer de uma forma simples e clara que milho é este.

Infelizmente as noticias vindas a publico acerca de OGM’s ultrapassam e omitem as questões técnico-científicas que urgem clarificar junto da opinião pública, por forma a desmascarar este tipo de atitudes totalmente repugnáveis.

As variedades de milho OGM’s para cultivo que estão disponíveis no mercado nacional, foram aprovadas pela Comissão Europeia em 1988 após complexos e rigorosos estudos, tal como se deve imaginar, pois trata-se de uma matéria por demais sensível. Os alimentos elaborados com grão proveniente destas variedades GM de milho consideram-se substancialmente equivalentes às variedades convencionais, segundo a decisão de Junho de 1998 publicada no Regulamento Europeu de Novos Alimentos.

As cultivares de milho GM são híbridos de milho onde foi introduzida uma alteração no genoma da planta, introduzindo-se um gene da bactéria Bacillus thurigienses com o objectivo de conseguir que a própria planta seja resistente aos danos de uma praga, as brocas, cujo controlo tradicional é feito por pesticidas de síntese, que são pouco eficazes, pois na maioria dos casos são aplicados quando a lagarta já se encontra no interior do milho, tornando-se pouco eficazes e bastante mais nocivos para os ecossistemas agrícolas, devido ao elevado numero de tratamentos necessários para o controlo da praga.

Desta forma as variedades de milho transgénico conseguem produzir pequenas quantidades de uma toxina (delta-endotoxina) que é conhecida há mais de 50 anos e também se utiliza na agricultura biológica com a mesma finalidade insecticida, não sendo tóxica nem para os seres humanos, nem para outros animais, e também não é activa em outros insectos úteis ao ecossistema. A toxina é uma proteína codificada pelo gene Cry1A da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt). Este gene é introduzido no ADN do milho, pelo que este se denomina normalmente de Milho Bt.

Assim, quando as pequenas larvas da broca tentam danificar a planta, ingerem conjuntamente com os tecidos vegetais a proteína Bt. Uma vez ingerida, as próprias enzimas digestivas da broca activam naturalmente a forma tóxica da proteína, que actua danificando a larva. Desta forma consegue-se um controlo muito eficaz das larvas da broca, sem qualquer risco para outros insectos benéficos e restante fauna e flora. Esta protecção aplica-se a toda a planta e durante todo o ciclo do milho, utilizando uma proteína natural conhecida e estudada há mais de 50 anos.

Do ponto de vista ambiental, comprovou-se que o milho GM carece de efeitos sobre insectos úteis tais como as abelhas, as joaninhas ou outros insectos predadores e aranhas. É muito pouco provável que estas variedades de milho causem efeitos negativos sobre as populações de borboletas, tendo sido mesmo comprovado nos EUA que são muito mais benéficas para os ecossistemas do que os tratamentos com insecticidas actualmente utilizados no milho convencional.

Note-se que antes de estes produtos serem aprovados pelos organismos oficiais para comercialização, têm que passar várias fases de investigação técnico-científica profundas, complexas e morosas que pretendem assegurar a estabilidade da expressão genética das características pretendidas - e por fases de testes de qualidade e segurança alimentar, médica e ambiental.

Como benefícios da utilização destas variedades de milho, podemos apontar a salvaguarda das colheitas, porque as larvas não as destroem; a redução de custos, porque não são necessários pesticidas; os benefícios para o ambiente e para a saúde pública, porque não se introduzem produtos tóxicos nos ecossistemas e os teores de micotoxinas no grão são reduzidos; benefícios na produtividade das culturas, que passa a ser máxima, entre outros

Para que os agricultores possam produzir milho GM são, por lei, obrigados a participar em acções de formação, antes da aquisição das variedades GM e antes de iniciar pela primeira vez o seu cultivo; notificar a sua Direcção Regional de Agricultura até 20 dias antes da data prevista de sementeira; comunicar por escrito da intenção de cultivar milho GM aos agricultores vizinhos ou com os quais partilhem equipamentos agrícolas, também até um prazo de 20 dias antes da data de sementeira; cumprir uma rigorosas normas técnicas definidas para este tipo de culturas, como por exemplo, a obrigatoriedade de semear 20% da área com milho convencional (área de refugio) entre outras legisladas no Dec-Lei 160/2005 de 21 de Setembro.

Através desta tecnologia podem-se produzir plantas idealizadas com determinados objectivos específicos. Por exemplo, plantas que emitem fluorescência, ou que produzam pró-vitamina A. Este último exemplo refere-se à produção de arroz com betacaroteno, nutriente que não é acumulado nos bagos do arroz convencional e que faz parte da dieta alimentar humana. Em alguns países do sudoeste asiático este cereal é quase a única fonte de alimento disponível. Nestes países existe uma grande carência de vitamina A na população em geral. Foi assim idealizada, através do conhecimento disponível, uma planta transgénica do arroz. Sabia-se que para cumprir o objectivo eram necessárias duas proteínas distintas. Então, recolheram-se os genes de uma planta e de uma bactéria (fitoeno sintase – psy - e fitoeno desaturase - crt I-), que codificam essas proteínas, e realizou-se a sua transferência para o ADN do arroz (mais informações em http://www.goldenrice.org).

Desta forma, espero ter contribuído para a desmistificação do milho GM tantas vezes alvo de ataques ignorantes por parte daqueles que não têm mais nada que fazer a não ser ser do contra porque está na moda.

Fico com vergonha de ter no meu País políticos como Dr. Miguel Portas que, no seu blog (http://www.miguelportas.net/blog/?p=108) declarou a sua “simpatia com o gesto” que no meu ponto de vista não passou da vandalização selvagem a fazer recordar os tempos semi-anárquicos do PREC.


Rui Amante
Anonymous Rui Amante, at 12:59 da manhã  
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lolikneri havaqatsu
Anonymous Anónimo, at 10:30 da manhã  

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