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quarta-feira, junho 13, 2007

A propósito de correntes (3)


Ainda sobre as correntes que existiram na fundação do CDS-PP e os pontos de contacto entre si que ainda hoje estão presentes.
Tal como disse aqui em qualquer um dos três pilares sempre se assumiu a liberdade da pessoa humana, a sua singularidade e expressão própria. É já um primeiro denominador comum. E nunca essa liberdade foi confundida com anarquia ou libertarianismo. Isto porque a grande diferença entre as três principais correntes não é a concepção de liberdade, mas sim o grau de relação desta com o Estado: eu, longe de Rousseau, não defendo o Homem bom. Reconheço-lhe a maldade inata, o egoísmo económico e a perversidade, arriscaria, quase intrínseca a esta era. Logo, ao pensar num Homem com estas características e ao pensar num Estado onde ele é partícula constituinte, não me apraz dar a este último inúmeros poderes na definição de uma sociedade.

Se o Homem é assim, então não existem razões para apoiar, sob a capa da autoridade do Estado, alguém que condicione o seu semelhante e a sua liberdade. Mais, um Estado assim, como o actual, enquanto detentor do juízo entre o bem e o mal e consequente missionário da bondade, uma espécie de Leviatã (e agora corro o risco de colocar Hobbes às voltas no caixão) só pode ser assim visto por Rousseau, pelos apologistas do Homem bom e logicamente pelos socialistas. Talvez por isso o Estado lhes diga tanto e a mim cada vez menos.

E nesses graus de relação da liberdade individual com o Estado os três pilares que compõem o CDS-PP apresentam três diferentes e igualmente válidas e legítimas alternativas. A Democracia-Cristã, tal como aqui já disse, ainda confia numa espécie de Leviatã, uma autoridade estatal presente, para alguns forte, que à luz da DSI, consegue construir pontes importantes com a Igreja. Para a DC, é a mesma Doutrina Social da Igreja a apresentar parte das soluções para os problemas sociais de um país, parte do receituário, onde o agente é que muda e é assumido pelo Estado. A postura de uma corrente liberal é simples e directa: o Leviatã há muito devia ter sido arpoado!
|| JMC - João Maria Condeixa, 22:52

8Comentários:

Se nao defendes o Homem bom, diz me no que isso se traduz no teu dia-a-dia e na vida politica que tu, tao proximo segues!? No que é aquilo que defendes ou possas vir a defender te diferencia, neste maniqueísmo Bem v. Mal e dos pressupostos argumentários, tradicionalmente à esquerda? E, já agora, porque achas que o Partido Liberal da Flandres se encontra sentado à esquerda do hemiciclo parlamentar belga(devo dizer que concorreu directamente com o Partido Democrata Cristao que curiosamente saiu vencedor nas últimas eleiçoes)?
Algunas questoes mais que, apesar de avulsas, demonstram algumas particulariedades da defesa do Liberalismo( que no CDS sempre foi económico, nunca social)entre nós!
Grande abraço de Madrid.
PS: Conto estar aí no próximo mês e aí puder esgrimir essas tuas novas ideias com maior proximidade e atençao que a net e o estudo nao me permitem!!
Blogger Frederico Nunes de Carvalho, at 5:34 da tarde  
As ideias do Liberalismo não são novas para mim, nem para ti e muito menos para o CDS. E o Liberalismo defendido pelo CDS nunca foi meramente económico. Teve sempre uma componente social(provavelmente com Lucas Pires a sua maior expressão) que o distancia totalmente da esquerda:
a) ser contra a subsidio-dependência é uma medida liberal, tanto económica, quanto social;
b) ser contra o rendimento mínimo garantido é uma medida liberal na sua vertente social;
c)Pugnar por um modelo de SS privado é profundamente liberal e muito mais social que económico;
d)Não ser favorável a salas de chuto ou outro tipo de proteccionismos à toxicodependência é uma solução liberal para um problema social.
E podia continuar a enumerar problemas do quotidiano com soluções que não nascem do conservadorismo, que também não pertencem naturalmente ao seio da democracia-cristã (embora haja democratas-cristãos que as defendam e bem) e que são totalmente opostas à esquerda.
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 6:41 da tarde  
E por isso é que Lucas Pires saiu...
Blogger Frederico Nunes de Carvalho, at 4:24 da tarde  
João!
Têm todas(com excepção da D que não entendo! proteccionismo à toxicodependência?) um denominador comum: economia. Está aí matizada a vertente liberal do CDS, naturalmente. E já agora uma provocação: os problemas que tu dizes que o conservadorismo não resolve, nascem precisamente desse liberalismo(social)!!!
Outra coisa: não respondeste a colocação dos liberais no parlamento belga! Achas que é apenas coincidência?
Blogger Frederico Nunes de Carvalho, at 4:56 da tarde  
Fred, não percebo de que problemas falas, pois se um problema resultasse directamente do liberalismo, provavelmente, a resposta estaria no Conservadorismo e vice-versa. Os problemas que levantei prendiam-se com o Estado, que os conservadores não me parecem resolver (posso abrir aqui uma pequena excepção aos neo-cons).Quanto ao parlamento Belga, só te posso responder que também o PSD em Portugal está do lado direito! Queres ver que achas correcto...mas para não ser eu a dizer, deixo aqui isto:http://en.wikipedia.org/wiki/Right-libertarianism
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 2:27 da tarde  
Caro Joâo isso do PSD já te digo eu faz muitos anos.... E agora diz-me o que o CDS fez para alterar essa falácia? Sâo agora estes ventos de Liberalismos que vâo alterar o panorama ou o CDS nem sequer se preocupa com a ocupaçâo dos lugares segundo pessoas, ideologias e coerências?
Blogger Frederico Nunes de Carvalho, at 6:55 da tarde  
Preocupa-se e quer assumir-se como o único partido de Direita na AR, mas isso não vem de agora, nem do liberalismo, nem de ideologias. Isso é discurso e acção, pois ao nível de ideologia, acho que não restam dúvidas...
Blogger JMC - João Maria Condeixa, at 11:52 da tarde  
Admitamos que não escolheram nem o "timing" nem a forma certa para tal, se é que querem mesmo fazer isso!! Eu acredito mesmo que já desistiram de tentar obter votos à Direita...e que, convencidos que estão da esmagadora maioria de Esquerda da nossa população, optaram por seduzi-la por essa via.
É o "laissez faire" liberal de Paulo Portas
Blogger Frederico Nunes de Carvalho, at 2:44 da tarde  

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